Gallotti

June 13, 2018

Por:

Quando soube pelo Gabriel Ribeiro que um grampo havia quebrado na Gallotti, (em 21/4/18) fiquei muito preocupado com a integridade de todos os outros grampos da via, e logo me ofereci pra reformá-la.

 

Falei com o DT do CEC (Fred), que levou o assunto à câmara técnica da FEMERJ. Escrevi uma proposta de reforma, que entreguei ao Tadeusz Hollup (um dos conquistadores vivos) antes de conversarmos por telefone. Tudo certo para a reforma completa, realocação de uma parada (abaixo do lance do estribo) e intermediação do lance de trepa-raiz onde a terra está caindo. A FEMERJ forneceria as chapeletas (Pingo e DuPla, da Bonier, com parabolts de 3/8 Walsywa de inox 304).

 

Na 1ª investida (27/4/18) fui com o Gabriel, entrando pela 1ª conexão com a Stop. Juntos pudemos ver a marca do grampo quebrado. Já instalamos uma chapeleta ao lado, pra que a via pudesse ser guiada normalmente. O grampo que quebrou era de ½ polegada, de aço carbono, e pelo que eles relataram, não estava muito corroído. Como quebrou de uma vez, sem dobrar, e quebrou uma camada de rocha junto, impacto incompatível com o fator de queda baixo (menor que 0,5), concluímos que o guia só podia estar ensolteirado quando caiu. Fixamos mais 4 chapeletas rapelando, no pouco tempo que tínhamos. Foram todas investidas de meio dia, de 1 às 5 da tarde. Era a janela que eu tinha durante a semana.

 

Outro dia pedi a um amigo engenheiro que calculasse o impacto de uma queda em fator 2 em solteira estática de nylon. Escalador de 80kg, queda de 2 metros (1m de solteira). Considerou que a solteira alongaria 3cm com o choque.

Ele calculou a energia do escalador em queda livre em 1560 joules.  Considerando a interrupção desta queda em 0,03m, o impacto é de 52kn. 

Se o corpo humano só tolera 12kn por uma fração de segundo, foi muita sorte ele cair em um grampo que quebrou. Salvou sua vida.

Só pra comparação, este site calcula o impacto sobre o escalador quando cai com corda dinâmica (é possível mexer nas variáveis):    https://clige.me/fall-calculator

 

Com o Wagner Pereira (dia 11/5/18), sugeri entrarmos pela base da Gallotti e focar no 1° esticão. Deu certo: Fixamos só mais 3 chapeletas, mas retiramos todos os grampos do 1° esticão (até onde o guia da Urca chama de P2). Usando talhadeira de aço e uma marreta Petzl de 700g, foi muito difícil quebrar os grampos. Dois de inox (aquele modelo sem solda) não quebraram, apesar de marcados com a talhadeira. Com muito esforço conseguimos girá-los até que saíssem do furo. Agora minha visão sobre a via mudou: “as proteções estão boas, especialmente os grampos inox, que são maioria lá. O grampo que quebrou recebeu um impacto incomum, não esperado na escalada em livre”. Mas ainda havia ajustes a fazer na via.

 

Eduardo Neves me ajudou em 17 e 24/5/18. Nesses 2 dias, entramos pela Stop, usando a 1ª e a 2ª conexão. Fixei 7 chapeletas, entre PinGos e DuPlas, incluindo as paradas (P3 e P4 do guia da Urca). As paradas onde já havia um grampo passaram a ser duplas, com a chapeleta.

 

 

O principal da reforma estava feito, e fui repeti-la em 26/5 com o Leandro C.Arantes. Escalamos a via confortavelmente, e confirmei que da oposição da meia lua até o cume, todos os grampos são inox. A grande maioria sem solda. Mas o Delson Queiroz (FEMERJ) insistiu pra que eu trocasse todas as proteções, porque os grampos inox são sempre uma surpresa. Se dos 33, só um estiver ruim, uma queda nele teria conseqüências sérias. Ele também sugeriu a eliminação de grampos onde entrassem boas proteções móveis, mas acho isso prematuro. Pode ser feito no futuro. Para cortar os grampos inox, vamos procurar alguém que empreste uma esmerilhadeira a bateria.  No braço não vai dar.

 

 

Pra reformar os 2 esticões finais da via, a melhor estratégia era vir do cume. Fui com Rodrigo Milone e Ivanir Chamberlain no dia 21/6. Subimos pelo costão e rapelamos a Gallotti com 2 cordas independentes. Eu fui instalando as chapeletas e eles dois quebrando os grampos, tipo numa linha de produção. O que funcionou melhor pra quebrar foi uma marreta de 1kg e uma broca SDS de 12mm, que infelizmente quebrou a ponta lá pelo 8° grampo. Instalei 9 chapeletas Bonier nos 2 últimos esticões, mais 3 nos esticões abaixo. A P1 ficou duplicada. Eles quebraram 10 grampos, sendo que 1 dos inox, com solda, quebrou com 1 marretada só. Totalmente comprometido. 

 

 

Em 07/07/18 fui com minha ex-aluna Hélida, pra finalizar o trabalho de instalação das chapeletas. Viemos de baixo, escalando a via até a P4. Ao longo do 2° esticão entraram 4 chapeletas que faltavam, e 2 grampos inox (modelo novo) saíram inteiros, girando. Na P2 fixei mais uma duPla, pra que o grampo que ficou (possivelmente original da conquista) seja apenas um testemunho histórico.  A parada dupla de chapeletas ficou funcional, padrão UIAA. Fixei mais uma PinGo duplicando a P3 e a P4, além de uma substituindo o grampo do lance do estribo (A1/VI+). 

 

Dia 15/07 fui com o Milone finalizar o trabalho: Desta vez, com uma esmerilhadeira a bateria, cortar os 13 grampos inox que restavam foi bem fácil. Tarefa pro Milone, que já tinha experiência com a máquina. Retirei os 3 parabolts da Âncora, que haviam engripado na instalação da âncora (quando não aperta nem afrouxa, girando o parafuso junto com a porca).  

 

 

 

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